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Famílias Recompostas: Encontrar um Lugar Numa Nova Família

Nas famílias recompostas, não basta que os adultos se amem. É preciso encontrar novos lugares, novas regras e novas formas de pertencer, sem apagar as relações que já existiam.

Há casais que chegam à consulta a dizer-me que têm um problema com os filhos.

“Não conseguimos estar de acordo sobre nada.”

“Ele acha que sou demasiado permissiva com os meus filhos.”

“Eu acho que ela não percebe que os filhos dela não são meus.”

Ou então dizem-me uma coisa que, à primeira vista, parece explicar tudo: “Damo-nos bem até começarmos a falar dos miúdos.”

E muitas vezes é mesmo aí que começam as discussões. Uma regra que um quer impor e o outro considera exagerada, uma decisão sobre as férias, o tempo que cada um passa com os filhos, o dinheiro, a relação com o outro progenitor, a organização da casa ou simplesmente a questão de quem pode decidir o quê. À primeira vista, parece que estão a discutir educação. Mas, quando começo a perceber melhor o que se passa, encontro muitas vezes uma questão bastante maior.

Quando a discussão sobre os filhos é, afinal, sobre o lugar de cada um

Porque uma família recomposta não começa do zero. Começa com pessoas que já têm uma história. Há filhos que continuam a ter dois pais, mesmo que esses pais já não vivam juntos; há adultos que iniciam uma nova relação sem deixarem de ter responsabilidades, afetos e, por vezes, conflitos ligados à relação anterior; e há alguém que entra numa família onde já existem hábitos, regras, memórias e formas de estar que foram construídos muito antes da sua chegada.

É natural, portanto, que encontrar um lugar neste cenário não seja simples. Enquanto os adultos tentam perceber como organizar a nova vida em conjunto, os filhos também estão a tentar perceber o que mudou e, sobretudo, se aquilo que tinham continua a estar seguro.

Lembro-me de casais em que uma das primeiras coisas que aparece é precisamente esta sensação: “Eu vivo aqui, participo em tudo, ajudo com os miúdos, mas parece que não tenho direito a dizer nada.” E, do outro lado: “Eu percebo que ele vive connosco, mas não consigo aceitar que decida pelos meus filhos.”

Os dois estão a falar de regras, mas eu começo a ouvir outra pergunta por baixo daquilo que estão a discutir:

“Qual é afinal o meu lugar nesta família?”

Os filhos também precisam de encontrar o seu lugar

E essa pergunta não pertence apenas aos adultos. Também pode estar presente nos filhos, embora apareça de formas muito diferentes.

Uma criança pode gostar genuinamente do novo companheiro da mãe e, ao mesmo tempo, sentir que gostar dele é uma espécie de traição ao pai. Pode ficar contente quando o pai começa uma nova relação e, ainda assim, sentir raiva quando percebe que aquela relação está realmente a acontecer. Pode até querer que os pais sejam felizes separados e continuar, em alguns momentos, a desejar que voltassem a estar juntos.

Não vejo isto necessariamente como incoerência. Vejo uma criança a tentar organizar emocionalmente uma realidade que mudou e a tentar encontrar alguma estabilidade dentro de uma situação que, para ela, tem muito menos controlo do que para os adultos.

Por isso, uma das coisas que procuro transmitir aos casais é que nem sempre é preciso apressar a ideia de que todos têm de se sentir uma família.

Uma família recomposta precisa de tempo. Não apenas para que as pessoas se habituem umas às outras, mas para que possam descobrir que relações querem construir. Há crianças que se aproximam rapidamente do novo companheiro de um dos pais e outras que mantêm alguma distância durante bastante tempo; há relações que se tornam muito próximas e outras que permanecem mais reservadas.

E isso, por si só, não significa que exista um problema.

Às vezes significa simplesmente que ainda não existe história suficiente para existir confiança.

Ter um lugar não significa ocupar o lugar de um dos pais

Esta questão torna-se particularmente delicada quando aparece a autoridade.

É compreensível que quem entra numa família queira sentir que tem algum lugar dentro de casa. Vive ali, participa nas rotinas, cuida, faz sacrifícios e, naturalmente, pode sentir que também deveria poder estabelecer regras.

Mas há uma diferença que considero muito importante:

ter um lugar na família não é o mesmo que ocupar o lugar de um dos pais.

Viver com uma criança não cria automaticamente uma relação parental. E, quando tentamos acelerar essa relação, podemos acabar por dificultar precisamente aquilo que queremos construir.

Queremos respeito antes de existir confiança. Autoridade antes de existir relação. Proximidade antes de existir uma história em comum.

Na prática, muitas vezes é preciso começar por coisas muito mais simples: estar disponível, interessar-se, partilhar algum tempo, respeitar o ritmo daquela criança, não exigir afecto e não interpretar imediatamente a distância como rejeição.

A relação pode crescer a partir daí.

Isto não significa que o novo companheiro tenha de ficar completamente à margem da vida familiar, nem que não possa colocar limites. Significa perceber que a autoridade também precisa de uma relação que a sustente e que, numa família recomposta, nem tudo precisa de acontecer ao mesmo tempo.

E o casal? Onde fica no meio de tudo isto?

Entretanto, há outra relação que pode começar a desaparecer sem que ninguém dê por isso: a do casal.

Porque uma família recomposta pode transformar rapidamente duas pessoas apaixonadas em dois gestores de uma casa. Quem vai buscar os filhos, quem fica com eles, quem paga o quê, quem fala com o outro progenitor, quem organiza as férias, quem decide as regras, quem tem razão.

Quando dou por isso, percebo que quase todas as conversas importantes entre aquelas duas pessoas passaram a ser sobre problemas para resolver.

E depois aparecem frases como:

“Já nem sei quando foi a última vez que estivemos bem.”

“Só falamos dos miúdos.”

“Parece que somos uma equipa de gestão.”

É fácil perceber como chegaram ali. Os filhos ocupam espaço, as decisões são muitas e há sempre qualquer coisa para resolver. Mas, se o casal deixa de existir para além da gestão da família, começa também a perder-se uma parte importante da relação.

E é aqui que algumas discussões sobre os filhos começam a ganhar outro significado.

Uma pessoa diz: “Tu nunca defendes os meus filhos”, mas eu posso ouvir, por baixo desta frase: “Tenho medo de que os meus filhos não tenham lugar para ti.”

A outra responde: “Nesta casa parece que não posso dizer nada”, e talvez aquilo que esteja a tentar dizer seja: “Preciso de sentir que também pertenço aqui.”

Já não estão apenas a discutir uma regra.

Estão a defender o seu lugar.

Quando a discussão parece ser sobre os filhos, mas não é só sobre eles

Quando isto acontece, instala-se facilmente um ciclo que se alimenta a si próprio. Um insiste porque sente que precisa de proteger alguma coisa; o outro sente-se excluído e defende-se; quanto mais se defende, mais o primeiro sente que tem de insistir.

A discussão continua a parecer ser sobre os filhos, mas, muitas vezes, também é sobre o casal: sobre a necessidade de continuar a sentir-se escolhido, sobre o medo de perder espaço, sobre a dificuldade de construir uma relação nova sem sentir que se está a abandonar aquilo que existia antes.

E é por isso que não gosto muito da ideia de que uma família recomposta deve, com o tempo, tornar-se simplesmente “uma família normal”.

Não há uma família normal para onde todos tenham de chegar.

Esta família tem uma história própria, relações anteriores que continuam a existir, filhos que precisam de manter os seus vínculos com os dois progenitores, um casal que está a tentar construir alguma coisa nova e, muitas vezes, alguém que está a tentar descobrir onde pode caber sem ocupar o lugar de ninguém.

Não há uma fórmula que me permita dizer a uma família quando é que os filhos devem aceitar o novo companheiro, quando essa pessoa deve participar nas decisões ou como devem ser distribuídas todas as responsabilidades.

Há princípios que ajudam, naturalmente, mas depois preciso de olhar para aquela família concreta, para aquelas pessoas, para aquelas idades e para aquela história.

O que é que cada pessoa precisa para encontrar o seu lugar?

Por isso, em consulta, talvez a pergunta que me interessa mais não seja:

“Como fazemos para que todos se dêem bem?”

É antes:

“O que é que cada um precisa para conseguir encontrar o seu lugar nesta nova família?”

Às vezes, a resposta será tempo. Outras vezes serão limites mais claros, menos competição ou uma reorganização das regras.

Pode ser necessário proteger melhor o espaço do casal ou permitir que os filhos mantenham momentos próprios com cada progenitor.

E pode ser necessário aceitar uma coisa que nem sempre é fácil para os adultos: algumas relações ainda não são próximas.

Não precisam de ser já.

Construir uma família nova sem apagar as histórias anteriores

Uma família recomposta não precisa de apagar o que existia antes para construir alguma coisa nova.

Pelo contrário.

Há vínculos que continuam, histórias que não desaparecem e lugares que não podem, nem precisam, de ser substituídos.

É precisamente isto que procuro ajudar os casais a perceber: não é preciso escolher quem pertence e quem fica de fora.

É possível criar novos vínculos sem apagar os anteriores e construir um “nós” sem pedir a ninguém que deixe de ser “eu”.

talvez seja esse um dos trabalhos mais delicados de construir uma família depois de uma separação: deixar de tentar fazer com que todos ocupem o mesmo lugar e começar, pouco a pouco, a encontrar um lugar possível para cada um.

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Quando a proximidade também assusta

Algumas das discussões mais difíceis surgem precisamente quando um casal começa novamente a sentir-se ligado e a recuperar a esperança na relação.

Porque é que alguns casais discutem precisamente quando começam a sentir-se mais próximos?

“Esta semana até correu bem… e depois bastou uma coisa sem importância para voltarmos ao mesmo.” É uma frase que ouço muitas vezes em consulta. Normalmente, é dita com um misto de tristeza e frustração, como se aquele momento viesse confirmar uma ideia que o casal já traz consigo há algum tempo: “Nós nunca conseguimos estar verdadeiramente bem.”

À primeira vista, isto parece um contrassenso. Se as coisas estavam finalmente a melhorar, porque é que voltaram a discutir? A maioria das pessoas responde logo: “Porque não sabemos comunicar.”

Na verdade, muitas vezes não é isso que está a acontecer. Há discussões que aparecem precisamente quando o casal começa novamente a sentir-se próximo, quando regressam os momentos de cumplicidade, quando voltam as conversas, quando há mais carinho ou quando, pela primeira vez em muito tempo, surge a esperança de que talvez ainda seja possível recuperar a relação. E é precisamente aí que, por vezes, surge uma discussão aparentemente absurda. Não porque a relação esteja pior, mas porque a proximidade muda completamente aquilo que está em jogo.

Quando alguém deixa de ser importante para nós, deixamos também de correr o risco de nos sentirmos profundamente magoados por essa pessoa. Mas quando voltamos a abrir espaço para o outro, abrimos igualmente espaço para a possibilidade de sermos rejeitados, desiludidos ou abandonados. A proximidade traz conforto, mas também traz vulnerabilidade, e nem sempre sabemos lidar com essa vulnerabilidade. Sem nos apercebermos, começamos a proteger-nos. Algumas pessoas insistem no contacto, outras afastam-se, há quem proteste, há quem se cale, há quem precise de resolver tudo agora e quem precise de tempo para organizar ideias e emoções. Aparentemente parecem comportamentos completamente diferentes mas, muitas vezes, todos estão a tentar responder à mesma pergunta. “Será que continuo a ser importante para ti?” e, contudo, quase nunca fazemos esta pergunta de forma direta. Ela aparece disfarçada numa crítica porque o outro chegou mais tarde, na discussão sobre a educação dos filhos, na forma como reagimos a uma mensagem que ficou sem resposta, ou até na famosa queixa da loiça que não foi para a máquina. O tema parece ser esse, mas na maior parte das vezes, não é. Há uma ideia que costumo partilhar com os casais: o conteúdo da discussão e o verdadeiro conflito raramente são a mesma coisa. A discussão pode ser sobre dinheiro, horários ou tarefas domésticas, mas aquilo que realmente dói costuma ser muito mais profundo. O que queremos mesmo saber é se “Posso contar contigo?” “Importo tanto quanto tu importas para mim?” “Quando preciso de ti, encontras-me ou volto a ficar sozinho?” É por isso que, muitas vezes, acabam por discutir durante uma hora por causa de algo que, depois classificam como insignificante.

Não estão apenas a discutir sobre o presente, estão a reagir ao significado que aquele momento ganhou para cada um. É também por isso que, em terapia de casal, não procuramos culpados. Esse caminho não ajuda. Torna-se muito mais interessante perceber o que aconteceu entre os dois. Quando observamos o casal desta forma, começamos a reparar que ambos ficaram presos num ciclo que nenhum escolheu conscientemente. Quanto mais um insiste porque precisa de sentir proximidade e segurança, mais o outro pode sentir que nunca consegue corresponder e acaba por se proteger afastando-se. E quanto mais se afasta para evitar mais tensão, mais o primeiro sente que está a perder a relação e insiste ainda mais. Sem querer, ambos começam a alimentar exatamente aquilo que mais receiam: um sente abandono, o outro sente fracasso, e, cada um confirma, sem intenção, o medo do outro. É precisamente aqui que muitas pessoas descobrem algo profundamente libertador.

O problema deixa de ser “o meu marido” ou “a minha mulher”, mas o ciclo em que os dois ficaram presos. Quando conseguimos olhar para o ciclo, em vez de procurarmos um culpado, começa a surgir espaço para uma conversa completamente diferente. Deixamos de perguntar: “Quem tem razão?” E começamos a perguntar: “O que é que cada um de nós está a tentar proteger quando reage desta forma?” Esta mudança parece pequena mas transforma profundamente a forma como um casal se olha porque, de repente, a crítica pode deixar de ser vista apenas como crítica e passar a ser entendida como uma tentativa desajeitada de pedir proximidade, o silêncio pode deixar de ser interpretado apenas como desinteresse e começar a ser visto como uma forma de evitar dizer algo que possa magoar ainda mais. Nenhuma destas estratégias costuma resultar muito bem, mas quase todas nasceram da tentativa de proteger a relação e não de a destruir.

Talvez seja esta uma das ideias mais importantes que a terapia de casal nos pode oferecer. Nem sempre discutimos porque estamos mais longe, às vezes discutimos precisamente porque voltámos a sentir que aquela relação ainda importa, porque quando há esperança, também há mais medo de perder. E talvez a pergunta mais útil não seja: “Porque voltámos a discutir?” mas antes: “O que tornou esta discussão tão importante para cada um de nós?”

Muitas vezes, é aí que a conversa verdadeiramente começa.

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Comunicar bem em casal – agora e sempre

in flynews.pt

Com frequência sou questionada como comunicar melhor, quando, nas consultas de terapia de casal, a principal queixa é apresentada como “não sabemos comunicar”.

Nestes dias de quarentena que vão correndo, esta é uma capacidade fundamental. O potencial de conflito encerrado num processo comunicacional deficiente é enorme, e nesta situação de proximidade constante está exponenciado.

Comunicar é essencialmente ouvir!

Esta é uma das nossas competências mais subutilizadas . Na realidade, a maioria de nós acha que está a ouvir, quando na realidade está envolvido num diálogo interno que lhe permitirá refutar o que pensa que o outro lhe disse.

Quando não há envolvimento ativo no processo de escuta, muita informação não é rececionada (verbal e não verbal) e outra não é retida.

Para nos empenharmos num processo de escuta ativa precisamos utilizar os 5 sentidos. Esta prática não só nos informa sobre o outro, mas também sobre nós mesmos. A atenção ao corpo, a presença no “aqui e agora” permite-nos a construção de um feedback genuíno e que abre o diálogo incentivando uma comunicação positiva.

Assim devemos ter presente o seguinte:

·      Ouça para além do que é dito

Muitas discussões acontecem por razões que os casais descrevem como “tão pouco importantes que já nem se lembram”. Na realidade, a maioria dos conflitos começa com a “gota de água” que faz transbordar o mal estar de necessidades não satisfeitas. Queixar-me de que o meu companheiro não participa na confeção do jantar, na realidade pode ser uma queixa que poderia ser formulada como “Estive longe de ti todo o dia, queria a tua companhia, sentir que sou especial, que sentiste a minha falta também!” ( sim, a partilha das tarefas também aliviam o cansaço do outro)

·      Atente à linguagem não verbal

Compreenda e valorize a linguagem corporal do outro e atente na sua.

Muitas vezes o mal estar que sentimos numa conversa, pode ser explicado pela incongruência entre o que é dito e o comportamento, a linguagem corporal.

Quando estamos a falar com alguém que expressa verbalmente a sua preocupação pelo que lhes transmitimos e tem o olhar fixo no telefone, nas redes sociais, o mal estar que esse diálogo nos faz sentir é legitimo. As minhas palavras dizem “Interesso-me, preocupa-me com o que dizes”, o meu comportamento revela o contrário – e isso é irritante.

Tenha atenção à forma como se expressa e ao modo como se comporta no diálogo com o outro.

·      Time-out

Um diálogo pode estar imbuído de todo o tipo de respostas emocionais, desde a alegria à tristeza passando pela raiva e a zanga.

Quando em conflito, muitas vezes chegamos a um estado de ativação neurofisiológica e emocional que nos impede “manter a cabeça fria” e estar disponível para ouvir o outro.

Aceitem como estratégia o sinal de “time out” como forma de se retirarem da conversa o suficiente (20 minutos costuma ser o tempo adequado) para acalmar e permitir que o seu corpo e as suas emoções regressem a um nível gerível.

·      Realidade única?

A empatia e a bondade são dois elementos fundamentais para uma boa comunicação. A velha questão “queres ter razão ou ser feliz?” implica um equilíbrio entre a nossa visão e a compreensão do outro e da sua realidade. Ficar preso na busca da verdade absoluta só nos bloqueia. Admitir que existirão sempre 2 versões da realidade permite-nos construir pontes, processos de negociação.

·      Negociação

A maioria das negociações termina em compromisso de ambas as partes.

Numa boa conversa, ir mais além do “bater bolas” é fundamental.

Perdermo-nos nos pormenores, no ataque ao outro, não nos deixa perceber que muitas vezes ambos queremos o mesmo, mas temos caminhos diferentes para lá chegar.

Assim, procurem partilhar as vossas necessidades para além da queixa, para poderem passar à fase da resolução. Começar por aceitar que não terão uma solução boa, mas uma suficientemente boa para ambos é o primeiro passo para construir um compromisso partilhado.

Se o meu cansaço na relação se traduz na queixa de falta de iniciativa do outro para programar uma saída a dois, e o meu parceiro se queixa da minha falta de iniciativa para partilhar o sofá nas noites de semana, provavelmente ajuda assumir que o problema é o reconhecimento da necessidade da companhia do outro e da iniciativa de cada um para o demonstrar. Então encontrar um compromisso que permita satisfazer as necessidades especificas de cada um (ficar em casa, sair para jantar), dar-nos-á uma boa probabilidade de chegar a uma solução mutuamente satisfatória.

 Não existem relações perfeitas.

Como alguém dizia, “Casais felizes não são os que não discutem, mas aqueles que sabem resolver uma discussão”.

Autor: Catarina Mexia (Psicóloga Clínica)