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Amor Platónico

O amor platónico ou o amor idealizado deve o seu nome a Platão (350 a.C.), filósofo grego que acreditava na existência de dois mundos: o das ideias, onde tudo era perfeito e eterno, e o mundo real, finito e imperfeito, cópia mal acabada do mundo ideal.

Nesse sentido, viver um amor platónico é viver em dois mundos simultaneamente: um onde estamos sozinhos e outro onde namoramos, somos felizes e realizados com a pessoa perfeita que é objeto do nosso amor.

Amor impossível. Este tipo de amor baseado no impossível envolve a mistificação do ser amado, que é geralmente colocado numa posição inatingível. Ocorre muito frequentemente durante a adolescência e em jovens adultos, principalmente em pessoas mais tímidas, introvertidas e que sentem mais dificuldade em aproximar-se de quem amam. A insegurança, imaturidade e inibição emocional estão muitas vezes na origem deste comportamento. A forte idealização do objeto amado gera o medo de não atender aos seus anseios, o que contribui para amar à distância e impede viver a experiência não só de amar mas também de nos sentirmos amados, não só de cuidarmos e nos preocuparmos mas também de nos sentirmos acolhidos e amparados. Esta troca de experiências emocionais é que permite o sentimento de que amar vale a pena, com a vantagem acrescida de poder ainda ajudar a superar conflitos e dificuldades do quotidiano.

Amar por medo. Muitas vezes as pessoas têm um amor platónico por medo de sofrer. Isto porque preferem viver um amor que nunca irá realizar-se do que lidar com os eventuais desapontamentos e tristezas inerentes à relação. Nada disto é necessariamente mau ou errado, desde que saibamos racionalmente que aquilo que julgamos ter não existe, até porque o outro desconhece totalmente os sentimentos que alguém nutre por ele.

A maioria das pessoas fantasia acerca das relações amorosas: “Um dia encontrarei o par ideal, que será capaz de me compreender, sem discussões, onde a compatibilidade será perfeita.

A magia do amor estará sempre presente e a paixão será eterna.” A realidade das relações amoro­sas, no entanto, é muito diferente. Todo o processo de namoro é uma situação tremendamente arrisca­da. Somos e sentimo-nos postos à prova, principalmente se aceitar­mos darmo-nos a conhecer tal co­mo somos, o que significa arriscar sermos amados, mas também re­jeitados. E a rejeição não é fácil de aceitar.

Uma relação amorosa é uma das melhores oportunidades de cres­cimento pessoal. E não há cres­cimento que não implique sofri­mento. Todavia, também inclui uma felicidade enorme. Tal co­mo noutras situações da nossa vi­da, aquilo que obtemos depende da vontade de lutar por essa relação, arriscando-nos a deixar o nosso “lugar seguro”. Geralmente, antes do fim do primeiro ano de relacionamento, os

elementos do casal começam a experimentar as primeiras discussões, desentendimentos e dificuldades. É normal. Resulta da necessidade de estabelecer regras de conduta na relação. A cultura familiar de cada elemento do casal permite-lhe crescer com regras, que são forçosamente diferentes do outro. Mas estas funcionam a um nível inconsciente, e muitas vezes não nos damos conta que estamos a tentar impô- las ao outro.

Herança cultural. Recordo a este propósito um casal constituído por um português e uma alemã, onde o trabalho inicial da terapia consistiu em perceber como a “importância de dormir com a roupa da cama entalada ou solta” não resultava da má vontade do outro, mas de uma herança cultural (para uma alemã, que geralmente dorme com um edredão não fazia sentido dormir presa pela roupa. Mas muitos de nós recorda como a mãe, na hora de irmos dormir, nos vinha aconchegar na cama, entalando a roupa debaixo do colchão).

Sem nos darmos conta, mantemo-nos fortemente leais à cultura e crenças da nossa família de origem e, geralmente, cada um acredita firmemente que a sua abordagem é a mais correta.

Este é um período importante na construção de uma relação. É frustrante e doloroso. Obriga- nos a fazer cedências, a olhar para o outro, não como o ser perfeito que imaginámos, mas alguém que “não nasceu ontem à espera de ser moldado pelo outro” e que tem uma história.

Arriscar e crescer. Todas as relações começam por ser platónicas. Todos os namorados começam por ser idealizados, imaculados. Mas tal como não podemos permanecer eternos adolescentes, necessitamos de nos envolver com o outro para podermos crescer.

Crescer também é arriscar. Se estivermos dispostos a arriscar, podemos crescer e tirar o prazer de desfrutar de uma relação amorosa dinâmica e partilhada.

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Medo de ser feliz

Todos procuramos ser felizes e, no entanto, raramente atingimos aquilo a que chamamos felicidade. Porque será este um objetivo raramente conseguido? Será a felicidade uma experiência tão complexa ou estranha que só é acessível a seres excecionais? E quando acedemos a ela, somos capazes de a reconhecer?

Aparentemente não existe uma definição universal de felicidade. Cada um é feliz à sua maneira, de acordo com as suas aspirações, necessidades e dificuldades. Assim, por exemplo, para aqueles que ficaram sozinhos, a felicidade pode passar por encontrar um companheiro que preencha mais ou menos as suas expectativas. Outras pessoas pensam que não teriam dificuldade em atingir a felicidade se ganhassem o euromilhões.

A nossa definição de felicidade pode mesmo mudar consoante as situações: quando somos atingidos por uma doença, parece-nos que a felicidade passa pelo bem-estar relativo em que nos encontrávamos antes, mas quando nos sentimos profundamente cansados uma boa cama seria o suficiente para nos tornar felizes.

Por toda esta relatividade, não é de espantar que seja tão difícil perceber quando atingimos a felicidade: é impossível defini-la de modo absoluto e verdadeiro para todos. Não há um padrão.

Cumprir. A felicidade não é de facto uma realidade estática, pois os seus conceitos e definições são bastante numerosos e variados. Este estado de alma não é de beatitude aprazível, durável no tempo ou uma satisfação total e definitiva. É sim uma experiência em que proliferam sentimentos e emoções, com uma forte intensidade e de sinal positivo. É algo intrinsecamente vivido, e como tal mutável. Mais detalhadamente, a felicidade depende da satisfação das nossas necessidades mais importantes. Mas como estas mudam continuamente, a experiência que procuramos é sempre diferente daquela que aconteceu na vez anterior.

Ainda, a felicidade não aparece de forma gratuita nem cai do céu: ela ganha-se e merece-se. O sentimento de ter cumprido algo de importante a que nos propusemos, é uma das facetas fundamentais da sensação de felicidade, pois contribui em muito para uma autoestima saudável.

Pessimismo. No final do século XIX, Freud denominou de expectativa angustiada a tendência de que a partir de um facto esperarmos sempre o pior. Entre várias situações, referiu o de uma mulher que sempre que o marido tossia, imediatamente pensava e agia como se este estivesse em vias de contrair uma pneumonia fatal. No entanto, salientou que nestes casos este tipo de angústia ultrapassava a simples tendência para o pessimismo plausível.

Encontramos com frequência pessoas que ultrapassam estes limites e que desenvolvem uma neurose marcada pela incapacidade para ver o lado bom das coisas. É como se para estas pessoas o ambiente externo fosse uma projeção daquilo que está dentro de si. Desta forma, o mundo passa a ser percebido como mau e ameaçador, enquanto que a pessoa se resguarda na posição de vítima.

Esta posição traz, aparentemente, algumas vantagens: atrai atenções, permite que adoptemos uma posição mais infantil caracterizada pela dependência, pelo desamparo e pela necessidade de cuidados dos outros.

É possível que a nossa tendência para competir na desgraça seja, no fundo, uma espécie de disputa pelo lugar de vítima, de incapaz e de impotente para assumir a responsabilidade pela própria vida. Obviamente é mais fácil atribuir as culpas dos nossos males a causas externas do que admitir a nossa simples incapacidade ou apenas falta de vontade.

Insatisfação. Para algumas pessoas, parece não haver escolha. As suas experiências de vida, a impossibilidade de desenvolver uma boa autoestima, o vazio que se criou, fazem de algumas delas pessoas constantemente insatisfeitas consigo e com os outros, ainda que o grau de exigência para si e para os outros seja sempre demasiado elevado.

Se observarmos com atenção aqueles que nos rodeiam, para não falar de nós próprios, existe, igualmente uma grande dificuldade em aceitar o que é bom. Muitos são aqueles que não conseguem aceitar um elogio, receber um presente sem sentir estranheza, sem saber como reagir. Experimentam um certo desconforto, como se as coisas boas apenas estivessem ao alcance dos outros. As questões da autoestima, do mérito, as dúvidas quanto ao ser ou não ser verdadeiramente amado e aceite, são as variáveis que fazem pender o nosso julgamento para uma visão mais ou menos favorável. Por outro lado, não podemos esquecer o factor cultural que enfatiza a ideia de que temos que ser bons para merecer coisas boas, como se a felicidade fosse algo exclusivamente exterior. E como temos consciência de que não somos perfeitos, acabamos por cultivar uma crença interna de que não merecemos o bom que nos acontece.

A verdade é que todos ambicionamos saúde, realização pessoal ou harmonia familiar. A dúvida é se não boicotamos com frequência a nossa vida baseados em crenças infundadas ou no medo de sermos felizes, por não sabermos o que fazer com este sentimento que achamos desconhecer. Correndo o risco de estar a recorrer a um cliché, está quase tudo dito na expressão “a felicidade não se compra no supermercado, mas cultiva-se no jardim”.

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Ciúme

Todos nós conhecemos ou vivemos histórias de ciúme pois não dizem respeito apenas às relações amorosas. O ciúme pode estar presente em qualquer tipo de relacionamento e a minha experiência como terapeuta prova isso mesmo.
Pedro, um exemplo comum, tem atualmente 33 anos e assume que lidou com o ciúme em quase todos os relacionamentos que teve. Para ele, o ciúme e uma experiência que remonta aos seus primeiros anos de escolaridade. Não só se mostra ciumento com a sua companheira atual, como com os seus amigos e colegas de trabalho. Faz o melhor que pode para esconder esta sua faceta, mas quando o ciúme ataca dá-se conta de que faz comentários e tem atitudes que invariavelmente vem a lamentar depois. Por vezes opta por se retirar e torna-se distante, como forma de tentar manter estes sentimentos extremamente dolorosos para si mesmo. O Pedro, quando me procura, sente-se profundamente frustrado, sem saber como proceder.

Ana e Vasco, outros exemplos, estão casados depois de cada um ter passado por divórcios relativamente calmos, que lhes permitiram a manutenção de um bom relacionamento com os ex-cônjuges. Vasco não teve filhos, mas Ana tem dois rapazes do casamento anterior. As queixas do casal relacionam-se com a incapacidade de Ana para lidar com o que considera serem os ciúmes do Vasco em relação aos dois miúdos. Nada tem a ver com o pai das crianças, mas com o tempo que a Ana dedica aos filhos. Ana começa a ver como única saída um novo divórcio e por isso consegue que Vasco valorize a questão e venham juntos à consulta.
Muitas vezes a procura de ajuda só acontece quando o parceiro se cansa da falta de confiança, dos infindáveis interrogatórios, dos gritos, das constantes acusações injustificadas e, por vezes, de uma intensa violência, psicológica ou mesmo física.
A iminência ou a concretização da perda faz muitas vezes com que o ciumento descubra da forma mais dolorosa que afinal nunca controlou nada, não evitou a perda, nem se mostrou insubstituível.

Onde começa o ciúme? Enquanto crianças todos começamos por acreditar que somos o centro do universo e que a nossa mãe é exclusivamente nossa. Podemos dizer que o primeiro ciúme que sentimos se refere ao momento em que tomamos consciência da existência do nosso pai, que passa a ter existência real e que, de alguma forma, nos “rouba” a nossa mãe.
Um outro momento importante que nos pode levar a sentir ciúmes tem a ver com o nascimento de um irmão mais novo. O amor e o colo, o carinho e atenção que até aí eram só nossos passam para este irmão mais novo e, muitas vezes, de uma forma muito intensa. Enquanto crescemos, quanto mais nos sentirmos seguros do amor dos nossos pais ou das figuras que os substituem e são igualmente importantes, mais nos sentimos imunes ao medo de uma futura perda, ainda que nem mesmo os pais mais atentos e dedicados nos possam proteger. Ou seja, é necessário ao nosso crescimento sabermos lidar com o sentimento de perda, não permitindo que a ausência do outro nos faça desaparecer ou sentir desvalorizados enquanto pessoas.
Não levamos muito tempo a perceber que o ciúme é um sentimento negativo mas, tal como as outras emoções que não podemos simplesmente eliminar, aprendemos a introjetar esse sentimento nefasto e a virá-lo contra nós próprios ou a virá-lo contra o objeto dos nossos sentimentos.

No primeiro caso o ciúme pode converter-se em auto-repulsa levando-nos a acreditar que não somos merecedores de amor ou, até, incapazes de obter o que desejamos da vida e, como tal, desistimos de tentar transformando-nos numa espécie de vítimas. Já o ciúme exteriorizado degenera com frequência em raiva. Interiorizamos os sentimentos maus e projetamo-los sobre a pessoa que julgamos ter roubado o nosso amor. E a raiva ciumenta pode destruir uma amizade, dar cabo de um amor e, em casos extremos, matar uma pessoa.

Afinal o que é o ciúme? O ciúme surge como um mecanismo inconsciente que procura controlar e reter o outro só para si. Tudo o que não se encontra dentro da relação simbiótica passa a representar uma ameaça para o parceiro que não suporta a ideia de ser abandonado.

No entanto, o ciúme é a expressão de uma emoção e, como tal, é normal senti-lo.
A habilidade reside em não nos deixarmos dominar por ele, tentando, pelo contrário, dominá-lo, controlando os comportamentos a ele associados para que não cause danos irreversíveis à pessoa e/ou ao relacionamento.
Está ligado a influências culturais, sociais e à história de vida de cada um.

O sentimento maior que motiva o ciúme é a desconfiança. Mas existem outras características de personalidade que estão presentes de forma mais ou menos vincada no ciumento. A necessidade de posse é um dos traços fortes do ciúme. Quem ama é capaz de dar espaço ao outro, de respeitar a sua individualidade não se sentindo ameaçado pela presença de terceiros. O medo de perder o ser amado para outra pessoa também pode ser devastador. Muitas vezes uma baixa auto-estima e falta de aceitação tal como somos, faz com que a pessoa se sinta diminuída e em constante perigo de ser trocada por outra mais interessante.

O egoísmo é uma das marcas mais gritantes de um ciúme doentio. Por oposição ao amor altruísta, estas pessoas são capazes de expressar sentimentos como “prefiro ver a minha mulher morta do que vê-la a viver com outro!”. Na realidade quando o ciúme nos toma nas suas garras, parece que o coração não nos cabe no peito, a respiração torna-se dolorosa enquanto lutamos para trazer um pouco de ar para os pulmões e as nossas emoções parecem oscilar entre uma raiva incontrolada e o pânico total. Este desequilíbrio no sistema nervoso faz aumentar o nível de adrenalina, interfere na dinâmica dos neurotransmissores e faz parecer que tudo desaba dentro do nosso corpo, rompendo-se o equilíbrio do bem-estar.

O ciúme hoje. Um dado interessante é o de que o ciúme parece estar cada vez mais presente nos relacionamentos actuais. No entanto não é uma doença contagiosa que se possa pegar através do contacto com os outros.
O estatuto do homem e da mulher tem vindo a alterar-se de forma muito intensa nas últimas décadas. Existem, especialmente para as mulheres, oportunidades de sucesso e realização profissional baseadas no seu próprio mérito. Ou seja, quer para a mulher como para o homem aumentaram as possibilidades de escolha. Hoje em dia as mulheres podem escolher ter uma relação, que condições esta deve ter para durar, se têm ou não filhos ou se investirem mais na carreira.

Mas se, por um lado, estas conquistas trouxeram mais-valias na relação homem/mulher, por outro também potenciaram a insegurança e o medo de perder o outro.
Atualmente são as pessoas que afirmam não conseguir lidar com a perda que mais facilmente se mostram ciumentas. Por oposição, aqueles que aceitam que existe sempre a possibilidade de perdermos aquilo que consideramos precioso e que sabem que tudo é efémero, que tendem a tirar melhor partido daquilo que vivem no presente: valorizam a relação, minoram as dificuldades, trabalham em equipa e aprendem com os outros.

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Amores de Verão

O período estival é sinónimo de liberdade do corpo e do espírito. Sinónimo de despreocupação, as férias são, para muitos, ricas em aventuras e encontros amorosos. Mas serão estes amores feitos para durar?

Mais do que a Primavera, o Verão é, por excelência, a época dos amores. E a razão por que isso acontece não deriva do acaso. Existem diversas teorias e condicionantes que parecem contribuir.

Redescobrir o corpo. Durante o ano os relacionamentos amorosos têm falta de sensualidade. As inquietações, o stress e a fadiga são os piores inimigos do desejo e a chegada do Verão revela-se o momento ideal para acordar uma libido adormecida pelos dias mais frios. O corpo, finalmente descoberto das roupas de Inverno, revela-se nas suas formas, cores e odores que despertam sensações e atracções. Geralmente apresentam-se peles bronzeadas, sem rugas de preocupações, distendidas pelo conforto da liberdade de movimentos.

Associada a esta exposição corporal parece estar a teoria que diz sermos ainda influenciados pelas feromonas, hormonas associadas à atração e disponibilidade sexuais, especialmente importantes nos animais não racionais. Para nós terão passado para segundo plano, mas muitos cientistas creem que ainda têm um papel muito importante nos mecanismos de atração entre humanos.

Verdade ou não, o que parece é que o calor favorece a libertação de odores corporais que incluem estas hormonas a que inconscientemente continuamos sensíveis.

Tempo livre. Suspender a monotonia do quotidiano, interromper rotinas, autorizar-se a fazer nada, tirar partido das horas extra de luz, sair e passear, tudo nesta altura parece contribuir para reencontrar o gosto e a disponibilidade para estar com outras pessoas. A época de Verão é eleita pela maioria de nós para gozar as merecidas férias grandes. Sem imposição de horários, esquecemos os pequenos males do quotidiano que nos deixam de mau humor e subitamente descobrimos ter tempo para cuidar de nós, o que nos deixa agradavelmente felizes e bem dispostos. Interessa-nos pouco mais do que o dia-a-dia e mesmo as situações sociais daqueles que conhecemos são irrelevantes. Provavelmente travamos conhecimento com pessoas que nos agradam, mas que em circunstâncias normais nunca teríamos conhecido. A rotura do momento propicia a união de duas pessoas que fora deste tempo certamente nunca se encontrariam. O que conta é o prazer de estar junto.

Uma questão de luz. O sol influencia todos os nossos comportamentos. Dependemos totalmente da sua luz para o nosso metabolismo e biorritmos. Em países em que predominam as horas de luz e a presença do sol a expressão emocional é mais expansiva, como nos países latinos, enquanto que nos países do Norte da Europa, por exemplo, com menos horas de sol, essa característica é mais contida.

Estas são algumas das condições que o Verão e as férias reúnem para que o amor “ande no ar”, especialmente o amor romântico, efémero por natureza. Mas raramente estes amores perduram até à estação fria. Ainda que o amor de Verão seja intenso e muitas vezes recíproco, raramente resiste à prova do tempo, da distância e da realidade. Quando estas contingências regressam, muitas vezes assistimos a verdadeiras transmutações do outro. Aquele que tinha agradado pela sua espontaneidade, alegria de viver e capacidade de aventura modifica-se radicalmente. O seu penteado torna-se mais formal, as suas roupas transformam-se em verdadeiras carapaças, máscaras que tem de envergar para enfrentar a sua profissão.

Apenas alguns encontros extraordinários parecem resistir ao fim do Verão. Mas serão eles capazes de resistir à distância?

Longe da vista. Além do Verão ter acabado, a distância geográfica também é uma realidade em muitos amores de Verão e pode ser uma vantagem que ajuda a manter uma relação que tanto prazer deu, não só porque mantém o drama, como evita o desgaste. Permanece a incerteza, a impaciência da espera de um sinal do outro. A alegria dos reencontros predomina e muda o humor, pois são tão raros que há que aproveitá-los bem.

A distância tem ainda a virtude de não favorecer a rotina. Estar fora de contacto impede que os hábitos de casal se instalem, tornando cada encontro uma oportunidade para novas descobertas. Os assuntos de conversa nunca se esgotam. Mais: esta distância permite continuar uma vida de celibatário, sem a necessidade de estar comprometido ou de fazer cedências imediatas.

Suspender a monotonia do quotidiano, interromper rotinas e autorizar-se a fazer nada, tudo no Verão parece contribuir para reencontrar o gosto e a disponibilidade para estar com outras pessoas.

E evita discussões, porque raramente os elementos do casal estão em “dia não”. Vêem-se tão pouco que não faz sentido estragarem tudo com críticas ou desentendimentos.

Mas o reverso da medalha existe e revela-se quando impede a criação de hábitos de partilha característicos e necessários numa vida de casal, como, por exemplo, conhecer verdadeiramente a pessoa por quem nos apaixonámos no Verão. Mesmo que a maioria dos romances de Verão não dure, a verdade é que não nos devemos privar deles, até porque nos permitem aprender a conhecer e experimentar outras características que desconhecíamos em nós.

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Lidar com a Doença Crónica

O diagnóstico de uma doença crónica obriga sempre a mudanças inevitáveis no estilo de vida do doente, de maneira a garantir não só a sobrevivência mas também a qualidade de vida. Independentemente da doença diagnosticada, este é sempre um momento de crise. Um desafio importante para o doente crónico é aderir a um tratamento que irá manter por toda a vida, o que para muitos vem reafirmar a sua condição de pessoa doente.

A família. A experiência do diagnóstico acaba inevitavelmente por ser partilhada pela família, pelos amigos e por todas as pessoas próximas do doente. Existe aqui uma dupla componente muito importante, pois os comportamentos adotados pelo paciente face à doença e as relações que estabelece a partir daí dependem da capacidade de adaptação da família às mudanças decorrentes do diagnóstico.

A doença tem estádios de evolução que influenciam as diferentes formas de lidar com ela: a fase aguda, a crónica e a terminal. A fase aguda é aquela que tem mais poder para mobilizar toda a família. Nestes momentos não é difícil encontrar diversos membros da família disponíveis como cuidadores. Já quando se estabelece a fase crónica, geralmente apenas um é designado para o efeito e é geralmente ele que acompanha o doente até à fase terminal.

As crises resultantes da convivência com uma doença crónica resultam muitas vezes da dificuldade que a família tem em adaptar-se ás mudanças naturais do ciclo de vida. Imaginemos uma situação em que um jovem adulto pronto a deixar a casa dos pais é inesperadamente diagnosticado com uma doença crónica. O momento do ciclo de vida desta família diz-lhe que está pronta para deixar o seu filho sair de casa e viver os dilemas do “ninho vazio”. Por sua vez, para este rapaz o momento ansiado de iniciar uma nova família fica comprometido.

Naturalmente, os pais procurarão cuidar do filho doente tal como cuidariam se ele fosse pequeno. O filho que se “treinou” para construir uma relação em que o controlo dos pais fosse cada vez menor pode ressentir-se desta atenção e cuidados, rebelando-se e adotando comportamentos que podem comprometer a sua saúde, tais como não fazer a medicação de forma adequada.

As famílias são, contudo, o recurso mais valioso para o entendimento e cuidado da doença crónica. Os médicos não tratam a doença, apenas recomendam tratamentos que devem depois ser seguidos pelo paciente e a sua família, de forma a mantê-lo equilibrado e com qualidade de vida. Os elementos da família e os profissionais de saúde precisam de estar atentos aos sintomas, à medicação e aos tratamentos em ambulatório e ainda providenciar suporte emocional. Acontece com frequência que estas tarefas recaem apenas sobre um membro da família, geralmente aquele que está mais próximo da doente.

O casal e a doença. Provavelmente acontecerá a todos os casais um dos cônjuges adoecer de forma crónica. O primeiro desafio que se coloca, para além do da doença, é lidar com os sentimentos que esta desperta. A cólera, a negação, a culpa, o medo, o desgosto e a preocupação com os filhos irão sobressair num momento em que, mais do que nunca, a atenção ao outro é necessária.

Quando os cuidadores são o marido ou a mulher, muitas vezes acontecem mudanças importantes na relação de casal. Por exemplo, as responsabilidades que antes pertenciam ao cônjuge doente passam a ser assumidas pelo cuidador. Tal pode envolver aprender novas competências num momento em que existe menos energia e disponibilidade mental. Muitas vezes sentimos que a inversão de papéis é frustrante e causadora de tensões numa relação já de si difícil. Existe também a perda de atividades que foram fonte de prazer, o que pode conduzir ao isolamento dos amigos ou a uma culpa muito intensa quando, ao satisfazer as necessidades de convívio, o cuidador sente que está a “trair” o doente.

Se a comunicação entre o casal se perde durante a doença, o relacionamento também se irá perder. A intimidade altera-se, o tema doença invade toda a vida do casal, mesmo enquanto pais, e ao deixar controlar-se por ela o casal corre o risco de estagnar o desenvolvimento da relação.

Outro problema que o casal enfrenta é a gestão das emoções e sentimentos decorrentes de necessidades emocionais não satisfeitas. A promoção do diálogo franco e aberto, sem mal entendidos e preconceitos, poderá ajudar a manter uma relação saudável.

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Como a família de origem está presente no nosso casamento

Quando casamos e temos filhos, os nossos pais continuam a influenciar-nos. Os pais influenciam os filhos e mães as filhas. Quer tenhamos consciência disso ou não o exemplo que provém dos nossos pais influencia-nos profundamente na forma como tratamos os nossos companheiros e educamos os nossos filhos.

São muitos os exemplos que cada um de nós poderia evocar mas recordo aqui o de Jorge. No final de um dia de trabalho, este cliente gostava de chegar a casa sentar-se no sofá, ler o seu jornal, ver a televisão. Contudo o jantar precisava de ser preparado, os filhos precisavam da ajuda do fim de dia, a casa precisava de um jeito. Teresa, a mulher também trabalha fora e queixava-se que a sua profissão é tão cansativa quanto a do Jorge.

As queixas da Teresa prendiam-se com o desejo de ver o Jorge participar na vida familiar.

O Jorge é uma pessoa com um sentido de justiça ajustado que considera este pedido da Teresa perfeitamente razoável. Contudo, uma outra parte  dele como que lhe recordava constantemente que este não era o papel do homem.

Para o Jorge, cuidar da casa é trabalho de mulher. Muitas vezes era assaltado pela ideia “Mas quem ela pensa que é para mandar em mim?” Para este cliente assentir nos pedidos da mulher era humilhar-se e sentir-se menos homem. Contudo, e porque gostava profundamente da mulher, percebia-se num intenso conflito.

Se por um lado fazia o que lhe era pedido, também o fazia de má vontade o que criava uma atmosfera muito desagradável em casa, um dia após o outro.

Mas realmente onde estava o conflito? De uma forma imediata, o conflito parece estar no casal. Contudo se olharmos com mais atenção o conflito real situa-se entre o Jorge e o seu pai, mais propriamente a personalidade do Jorge e os valores adquiridos do seu pai relativamente ao papel do homem num casal.

O Sr. Manuel, pai do Jorge, foi descrito como autoritário, um “homem á antiga”, para quem “as mulheres são para estar na cozinha”, que o filho aprendeu a temer, mais do que a respeitar. Para o Sr. Manuel o valor do trabalho do homem e da mulher eram duas coisas completamente distintas. O papel do homem era garantir o ganha-pão da família, coisa que ele soube fazer com muito empenho e dedicação, coisa de que o Jorge falava com muita admiração.

O Jorge é o único rapaz de uma frateria de seis em que os outros filhos são raparigas. Ele é o 5º. Como é fácil de perceber não só foi muito protegido pelas irmãs como foi acolhido pelo pai como o seu “protegido” a quem foi passado um testemunho familiar especial, como dizia o meu cliente “coisas de homens”. Estas não incluíam o cuidar da casa ou dos filhos.

Quando o Jorge concordava com a Teresa e a ajudava com as coisas da casa e dos miúdos, sentia-se culpado, traidor de uma tradição familiar, que estava a ser desleal ao seu pai.

Durante o trabalho terapêutico foi possível compreender de onde vinham estes sentimentos e estas ideias. A certa altura ficou claro que as aprendizagens internalizadas durante o seu crescimento o levaram a este conflito interno, expresso pelo conflito com a Teresa. Na realidade o Jorge rapidamente percebeu que o seu conflito decorria do sentimento de estar a trair os valores do pai, que ele próprio já não conseguia assumir como seus.

Resolver este tipo de situação não é fácil, exige tempo e a capacidade do casal perceber as heranças trangeracionais.  Contudo, para a Teresa e para o Jorge, foi muito importante compreender a raiz do conflito.

Este é apenas um exemplo dos muitos que podia trazer aqui para ilustrar a profunda influencia que os nossos pais têm nas nossas atitudes tanto como cônjuges como pais. O casamento dos nossos pais influencia o nosso. A forma como fomos educados influencia a forma como educaremos os nossos filhos.

Nem sempre se trata de um legado positivo, e enquanto não tivermos consciência da sua existência manter-se-á fora do nosso controlo. Enquanto não o compreendermos, estamos condenados a repetir cegamente o comportamento dos nossos pais a rejeitá-lo totalmente. Contudo, podemos deliberadamente considerar os diversos aspectos e dimensões dos papeis de esposa/o e mãe/pai que vimos desempenhar, seleccionando conscientemente aqueles que a nós melhor se adaptem. A compreensão dá-nos alternativas onde antes não existiam.

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Mitos do corpo perfeito

Verão é uma altura propícia para o aparecimento de preocupações com a imagem corporal, excessos de peso e pequenas gordurinhas que estão fora do sítio. Somos educados para cultivarmos uma apresentação agradável, mas particularmente as mulheres consideram ter necessidade de uma determinada forma para serem consideradas atraentes. E não é difícil encontrar razões por que muitas delas consideram que uma boa aparência passa por ter um corpo bem delineado, magro e com as medidas certas. Na verdade, todos somos diariamente confrontados com formas corporais que a maior parte de nós não possui, mas senti-mos necessárias para assegurar uma relação amorosa ou íntima bem sucedida.
Muitas mulheres estão mesmo convencidas de que não conseguem encontrar o seu “príncipe encantado” se não forem louras, tiverem pernas longas e bem torneadas, um peito generoso e uma pele fabulosa. Também os homens sentem este peso, acreditando que chamam a atenção do sexo oposto mais facilmente se tiverem um corpo bem trabalhado, um cabelo magnífico e uma pele perfeita. A realidade, porém, não é necessariamente esta.

Padrões de beleza. Cada cultura tem padrões de beleza que mudam com os tempos. Os padrões de beleza que conhecemos e pretendemos atingir, e que estão na sua maioria presentes nas revistas, são a excepção — e por isso são escolhidos para as revistas. No entanto, muitas pessoas parecem esquecer esta realidade. Alguns estudos demonstram que enquanto as preferências expressas por um grupo de homens que indicavam gostarem de mulheres com uma figura bem equilibrada, muitas mulheres achavam que esses mesmos homens prefeririam mulheres mais magras. Um outro estudo mostrou que o tamanho do peito, que as mulheres consideram ter que ser grande, não correspondia à preferência dos homens que preferiam um peito bem dimensionado e firme, independentemente do tamanho. Outro ainda veio mostrar que a maioria dos homens inquiridos valorizava mais a atracção do olhar e dos olhos da mulher do que as outras partes do corpo, como as ancas, o peito ou as pernas. Algo que parece um pouco contraditório prende-se com o facto de as mulheres continuarem a considerar fundamental a sua aparência, em detrimento de qualidades como a beleza interior ou força de carácter. Mas na realidade o que desperta a atenção entre um homem e uma mulher?

Regras da atracção. A atracção entre homens e mulheres parece tratar-se de um fenómeno químico baseado nas secreções corporais conhecidas por fenormonas. Os cientistas sabem que os animais utilizam as fenormonas para cortejarem o sexo oposto, mas ainda não conseguiram determinar a sua real importância nos humanos, apesar de considerarem que parece funcionar da mesma forma e com objectivos semelhantes aos do reino animal. A considerarmos hipótese, coloca- se outra questão: será a atracção também o produto de um processo mental baseado na análise e escolha racionais das características corporais do companheiro, ou será o resultado de uma programação primária com milhões de anos? Na verdade, o ideal de beleza varia de cultura para cultura e tem sofrido um longo processo evolutivo. E o nosso conceito de beleza, o da sociedade ocidental, deve muito à cultura grega, a primeira a divulgar a ideia de que um corpo bonito tinha que ser alto e bem torneado. As proporções das suas estátuas marcaram toda a arte, desde a Idade Média até aos dias de hoje, em que os modelos são escolhidos para estarem presentes nas revistas continuam a obedecer a estes padrões. Mesmo assim, muitos dos modelos são ainda mais magros, uma tendência que parece ter-se desenvolvido na segunda metade do século XX.
Outro aspecto desta realidade parece estar relacionado com os media, onde encontramos mais facilmente a última dieta da artista X ou Y do que artigos acerca da forma como alguém conseguiu tornar-se uma mulher de negócios ou uma profissional bem sucedida.
Ponto de equilíbrio. A solução para quem se vê envolvido neste dilema passa por encontrar um ponto de equilíbrio. Se por um lado a pressão do exterior não pode ser ignorada, por outro sabemos no nosso íntimo que a beleza interior é um dos elementos fundamentais para que qualquer relação prospere. Apesar de a beleza exterior ajudar a que o romance dure e ambos os elementos do casal se sintam menos vulneráveis às diferenças entre eles e os modelos exteriores, nem a mulher nem o homem devem ser escravos dessa realidade ou terem necessidade de fazerem comparações. O melhor compromisso é não procurar soluções milagrosas ou fáceis, nem tentar ir para além daquilo que o nosso corpo, bem-estar pessoal e qualidade de vida permitem.A elegância física deve ser resultado de uma alimentação saudável e equilibrada.
Somos o produto dos nossos genes e (ainda!) não podemos alterar a compleição de base. Se a aparência física é determinante para o nosso bem-estar talvez seja preciso avaliarmos o nosso nível de auto-estima.Os modelos exteriores são apenas referências. Todos podemos sonhar, mas se o sonho substitui a realidade sobra-nos apenas a insatisfação constante.Costumamos dizer que os gordos são mais felizes. Gordura em excesso não é bom, mas a felicidade é muito saudável e estarmos a retraírmo-nos constantemente não faz ninguém feliz.

O exercício físico tem um duplo mérito: ajuda-nos a encontrar uma forma saudável e produz endorfinas que contribuem para o nosso bem-estar.

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Dicas para manter uma relação saudável

  1.  Comece por aceitar que os homens e as mulheres são diferentes; compreender, aceitar essas diferenças pode ser muito divertido
  2. As relações bem sucedidas dão trabalho, não acontecem do nada, acontecem quando os casais correm o risco de partilhar o que lhes vai “alma”
  3. Todas as discussões são resultado do nosso estado interno. Quando o mal estar se instala observe o que se passa consigo antes de se zangar com o seu parceiro. Isto ajuda-nos a manter-nos focados naquilo que é realmente importante.
  4. Todos o dias são um bom dia para mostrar ao seu parceiro como ele é importante. Sentir-se querido(a) e respeitado(a) na relação torna-a muito mais agradável
  5. A raiva e o rancor são perdas de tempo. Se está chateado(a) com o se/sua parceiro(a), dê-se algum tempo para acalmar e depois, conversem sobre o que não está a funcionar para si
  6. Encontre uma forma de desenvolver/cimentar uma forte amizade. Se para alguns ser amigos pode ser pouco desafiante, outros casais referem que este é a base da confiança na relação.
  7. Seja o autor da sua felicidade. Ninguém mais pode fazê-lo(a) feliz, e se acha que o(a) seu(sua) parceiro(a) é o responsável, então precisa de olhar para a si e para a sua vida e perceber o que precisa mudar.
  8. Dê aquilo que quer receber! Se quer ser acarinhado tente dar carinho, ser compreendido, tente compreender.
  9. Só pode mudar-se a si mesmo(a). Se sente que a mudança é necessária coloque-a em cima da mesa e encarem-na como um desafio que faça sentido aos dois. E, se você mudar o outro não pode ficar na mesma!
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Renovar a intimidade no casal

Um  casal, formal ou não, existe se:

  1. Ambos se reconhecem como tal
  2. Tem a mesma noção acerca da finalidade da sua relação
  3. E fornecem feedback na relação.

Estes são elementos obrigatórios a verificar numa consulta e especialmente a verificar pelos elementos da relação.

Se estes elementos estão presentes então podemos admitir que existem intimidade, cumplicidade, amizade, entre outros elementos que facilitam e tornam interessante a relação.

A questão da intimidade é uma das mais complicadas, especialmente com o avançar da relação.

Se no inicio os gestos de carinho e de romantismo eram tão abundantes que não criavam problemas, com o passar do tempo e com as diferenças de disponibilidade para o sexo, começa-se a regatear os gestos de intimidade com medo que conduzam a uma relação sexual.

A intimidade é fundamental para alimentar uma relação.

Quando estiverem numa fila de cinema, á espera na fila do supermercado, caminhando na beira da praia, seria bom dar a mão, por um braço por cima do ombro, etc.

Quando um chega mais cansado a casa, uma subtil massagem nos ombros, um passar da mão pelo cabelo, etc. São  momentos que reforçam a intimidade e proximidade do casal e que não têm necessariamente um cariz sexual.

A questão da intimidade vem sempre a reboque das questões sexuais, mas nunca como a principal questão. Ora, do meu ponto de vista as prioridades estão erradas. É quando nos distraímos dos gestos que alimentam a intimidade que se torna mais difícil recuperar a disponibilidade para o sexo.

Homens e mulheres tem claramente concepções diferentes do que querem um do outro na construção dessa intimidade:

Uma mulher gosta de ouvir que é amada, e isso tem ainda mais força se ocorrer quando passeiam de mão dada. Naqueles dias em que parece impossível e tudo corre mal, gosta de sentir compreensão e ouvir que ainda assim é uma mulher fantástica; Gosta de conversar (as mulheres organizam o seu mundo através da conversa), sente-se valorizada , também,, quando o marido se interessa por aqueles assuntos de nada; Gosta de se sentir cuidada, e os gestos de intimidade são muitas vezes sinais de cuidado e carinho.

Mas os homens também tem a s suas necessidades. É importante sentirem-se admirados pelas suas capacidades; aceite o seu marido como ele é. Muitos zangam-se e não sem razão quando são alvos apetecidos das suas mulheres no sentido de se tornarem em algo que não são . Se há pouco falava na importância da conversa para as mulheres também agora é importante perceber que se o marido vem cansado está envolvido num projecto que o absorve, há que dosear a conversa.

A demonstração de afecto pode ser feita através do toque, da massagem, de um mensagem que é deixada no voicemail, de um beijo inesperado, etc.

Principalmente, divirtam-se em conjunto, não é preciso utilizar muito tempo nem planear umas férias á volta do mundo para o fazerem, divirtam-se, já souberam fazê-lo quando se namoraram quando o mundo que queriam descobrir era cada um de vocês, vale a pena investir de novo!

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Dicas para viverem em pleno o novo bébé

As crises conjugais durante os primeiros 2 anos, após o nascimento do primeiro filho, são muito frequentes. Contudo é possível acautelar a relação e evitar que o stress normal, decorrente das mudanças várias nos elementos do casal e na relação, transforme estes momentos de alegria em desilusão.

Antes do nascimento

  • Planeiem os dois com antecedência as tarefas que precisam de realizar com a chegada do bebé. Como cada um pode participar, o que precisa de aprender e quem precisaram de envolver para que tudo corra com o menor stress possível. Recordem-se que inteligente é mesmo saber pedir ajuda!
  • Envolver o futuro pai no processo de gestação é fundamental e muitas vezes desejado. Não só permite uma melhor compreensão das mudanças que ocorrem física e psicologicamente com a mulher como favorecem uma vinculação precoce com o bebé.
  • A gravidez, a parentalidade, o desafio de educar uma criança é uma desafio que assusta qualquer um. Partilhar dúvidas, dialogar, procurar soluções em conjunto através dos amigos,  parentes ou profissionais de saúde é saudável e aumenta o sentimento de cumplicidade e proximidade do casal.

 Agora que são pais:

  • Procurem manter programas a dois. Vai ser difícil, o tempo parece que não chega para nada, e aquela coisinha que lá está em casa encanta-nos de tal forma que não queremos deixá-la por um segundo, mas os jantares, os passeios a dois são muito necessários para continuar a investir na relação de casal.
  • A prática de exercício físico ou de qualquer outro hobbie a sós que vos permita “cuidar” da vossa “forma” mental é também fundamental. O espaço próprio continua a ser fundamental numa relação de casal e mais ainda quando surge uma criança que exige tudo de nós, em especial das mães, nos primeiros anos. Há que criar momentos em que pensemos em nós, cuidemos de nós, para depois pudermos partilhar em casal o bem-estar e a variedade de situações que nos animaram.
  • Partilhar tarefas com o pai faz muito bem ao casal, não vos sobrecarrega e aproxima o pai do filho. Há que saber delegar, confiar e retirar o conforto que daí advém. Também nós estamos a aprender a ser mães e tal como os pais precisamos de fazer para aprender.